Soneto XLIII – Como te amo?

NA TRADUÇÃO DE MANUEL BANDEIRA:

Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do Sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quiser,
Ainda mais te amarei depois da morte.

NA TRADUÇÃO DE LUÍS EUZÉBIO:

Como te amo? Deixa-me contar os modos.
Amo-te ao mais fundo, amplo e alto que
Minh’alma pode alcançar, além dos limites visíveis
E fins do Ser e da Graça ideal.

Amo-te até ao nível das mais diárias
E ínfimas necessidades, à luz do sol e das velas.
Amo-te com liberdade, como os homens buscam por Justiça;
Amo-te com pureza, como voltam das Preces.

Amo-te com a paixão posta em uso
Nas minhas velhas mágoas e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido

Com meus Santos perdidos – amo-te com o fôlego,
Sorrisos, lágrimas, de toda a minha vida! – e, se Deus quiser,
Amar-te-ei melhor depois da morte.

NA TRADUÇÃO DE SÉRGIO DUARTE

Como te amo? deixa que te conte: 
Amo-te quando em largo, alto e profundo 
Minh’Alma alcança, se fugindo ao mundo 
Busca a origem do Ser, da Graça a fonte. 

De dia, ou quando o sol cai no horizonte, 
Amo do mesmo amor cada segundo: 
O puro amor modesto em que me inundo, 
O amor liberto de quem ergue a fronte. 

Eu te amo com a paixão que conhecera 
Nas velhas dores, e com fé tão forte 
Como a da infância; o amor que se perdera 

Com minhas crenças; te amo no transporte 
Do pranto e riso, e apenas Deus quisera
Mais te amarei ainda após a morte.

NA TRADUÇÃO THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA

De quantas formas eu te amo? Deixa-me contá-las.
Amo-te profunda e largamente, e tão alto quanto
Alcança a minha alma, quando perco de vista
Os propósitos do Ser e do ideal da Graça.

Amo-te tanto quanto as menores necessidades
Do dia-a-dia, seja à luz do sol ou à luz de velas.
Amo-te livre, como os homens lutam pelo Direito;
Amo-te de modo puro, como afastam o Elogio.

Amo-te com a paixão que tenho pelas
Minhas tristezas mais antigas, e com minha fé infantil.
Amo-te com um amor que pensei ter perdido

Com os santos que perdi …Amo-te com o alento,
Sorrisos e lágrimas de toda a minha vida!… e, se Deus quiser,
Irei amar-te ainda mais depois que eu morrer.

 
Elizabeth Barrett Browning

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