No Cárcere

Por que hei de, em tudo quanto vejo, vê-la? 
Por que hei de eterna assim reproduzida 
Vê-la na água do mar, na luz da estrela, 
Na nuvem de ouro e na palmeira erguida? 

Fosse possível ser a imagem dela 
Depois de tantas mágoas esquecida!… 
Pois acaso será, para esquecê-la, 
Mister e força que me deixe a vida? 

Negra lembrança do passado! lento 
Martírio, lento e atroz! Por que não há de 
Ser dado a toda a mágoa o esquecimento? 

Por quê? Quem me encadeia sem piedade 
No cárcere sem luz deste tormento, 
Com os pesados grilhões desta saudade? 

Olavo Bilac, In Poesias (Sarças de Fogo), 1888

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