Olhando a corrente

Põe-te à margem! Contempla-a, lentamente,
Crespa, turva, a rolar. Em vão indagas
A que paragens, a que longes plagas
Desce, ululando, a lúgubre torrente.

Vem de longe, de longe… Ouve-lhe as pragas!
Que infrene grita, que bramir freqüente,
Que coro de blasfêmias surdamente
Rolam na queda dessas negras vagas!

Choras? Tremes? É tarde… Esses violentos
Gritos escuta! Em lágrimas, tristonhos,
Fechas os olhos?… Olha ainda o horror

Daquelas águas! Vê! Teus juramentos
Lá vão! lá vão levados os meus sonhos,
Lá vai levado todo o nosso amor!

Olavo Bilac, In Poesias (Sarças de Fogo), 1888

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