Os rios

Magoados, ao crepúsculo dormente, 
Ora em rebojos galopantes, ora 
Em desmaios de pena e de demora, 
Rios, chorais amarguradamente, 

Desejais regressar… Mas, leito em fora, 
Correis… E misturais pela corrente 
Um desejo e uma angústia, entre a nascente 
De onde vindes, e a foz que vos devora. 

Sofreis da pressa, e, a um tempo, da lembrança. 
Pois no vosso clamor, que a sombra invade, 
No vosso pranto, que no mar se lança, 

Rios tristes! agita-se a ansiedade 
De todos os que vivem de esperança, 
De todos os que morrem de saudade… 

Olavo Bilac, In Tarde, 1919

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s