Oceano

Olho a praia. A treva é densa. 
Ulula o mar, que não vejo, 
Naquela voz sem consolo, 
Naquela tristeza imensa 
Que há na voz do meu desejo. 

E nesse tom sem consolo 
Ouço a voz do meu destino: 
Má sina que desconheço, 
Vem vindo desde eu menino, 
Cresce quanto em anos cresço. 

— Voz de oceano que não vejo 
Da praia do meu desejo… 

Manuel Bandeira, In A cinza das horas, 1917

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