XXXIV – Tão escuramente caminha

XXXIV

Tão escuramente caminha
À beira-lágrima
Dentro do meu ser

Que já não sei
De onde me veio ou vinha
Vontade minha de te conhecer.

Hoje tão escuramente
Passeias, tardas, te arrastas
Num vasto alheamento
Dentro do meu ser

Que já não sei
Se te pensar foi gesto
Para inda mais ferir
Minha própria mágoa.

Por que, pergunto, estando viva
Devo eu morrer?
Por que, se és morte,
Deves me perseguir?

Aquieta-te, afunda-te
Morre, pequenina,
Escuramente
Dentro do meu sofrer.

Hilda Hilst, In Da Morte. Odes Mínimas, 1979

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