Metamorfose

No combate entre o gelo e o fogo 
A vida universal desdobra-se em ciclos 
No espaço de mil séculos. 
Tomamos consciência do cósmico, 
Tentamos ligações com o espírito há muito abatido 
E a alma afunda em dimensões pulverizadas. 
Dá-se a recuperação das espécies rejeitadas, 
O achado do perdido não procurado. 
Do implacável e do flamejante 
O universo não está terminado. 
Há mutações silenciosas em cada instante que soçobra
E que só percebemos da metamorfose de mil em mil séculos. 

Somos casulos pendurados nas folhas de árvores sem nome, 
Casulos à espera da metamorfose cíclica do tempo. 

Adalgisa Nery, In Erosão, 1973

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