Enquanto morrem as Rosas

Morre a tarde. Erra no ar a divina fragrância. 
Fora, a mortiça luz dos crepúsculos arde. 
Nas árvores, no oceano e no azul da distância 
Morre a tarde… 

Morrem as rosas. Minhas pálpebras se molham 
No pranto das desesperanças dolorosas. 
Sobre a mesa, pétala a pétala, se esfolham, 
Morrem as rosas… 

Morre o teu sonho?… Neste instante o pensamento 
Acabrunha o meu ser como um pesar medonho. 
Ah, por que temo assim? Dize: neste momento 
Morre o teu sonho? 

Manuel Bandeira, In A cinza das horas, 1917

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