Os silêncios da fala

São tantos 
os silêncios da fala 

De sede 
De saliva 
De suor 

Silêncios de silex 
no corpo do silêncio 

Silêncios de vento 
de mar 
e de torpor 

De amor 

Depois, há as jarras 
com rosas de silêncio 

Os gemidos 
nas camas 

As ancas 
O sabor 

O silêncio que posto 
em cima do silêncio 
usurpa do silêncio o seu magro labor. 

Maria Teresa Horta, In Vozes e Olhares no Feminino, 2001

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