Partida

À memória de um bom

Dês que te foste, eu olho para a vida 
Com toda a indiferença de um descrente; 
Mas, como hão de julgar-me erroneamente, 
Como passa esta dor despercebida! 

Ah! quantas vezes, num sorriso, a gente, 
Curtindo agruras duma atroz ferida, 
Disfarça a custo a lágrima sentida 
Que nos vem d′alma, límpida, silente! 

Sei que não tornas mais, que me levaste 
Toda a alegria, os sonhos, a esperança… 
Mas, na tristeza acerba que me invade, 

Eu sinto que, partindo, tu ficaste 
Em tudo que me cerca, na lembrança, 
Neste abismo infinito de saudade! 

Carmen Cinira, In Crisálida, 1935 

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