Água Nocturna

A noite de olhos de cavalo que estremecem na noite,
a noite de olhos de água no campo adormecido,
está em teus olhos de cavalo que estremece,
está em teus olhos de água secreta.

Olhos de água de sombra,
olhos de água de poço,
olhos de água de sonho.

O silêncio e a solidão,
como dois pequenos animais guiados pela lua,
bebem nesses olhos,
bebem nessas águas.

Se abres os olhos,
abre-se a noite de portas de musgo,
abre-se o reino secreto da água
que brota do centro da noite.

E se os fechas,
um rio, uma grande corrente doce e silenciosa,
inunda-te por dentro, avança, torna-se obscura:
a noite abre ribeiras em tua alma.

Octavio Paz
Tradução: Luís Pignatelli

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