Voz que se cala

Amo as pedras, os astros e o luar 
Que beija as ervas do atalho escuro, 
Amo as águas de anil e o doce olhar 
Dos animais, divinamente puro. 

Amo a hera que entende a voz do muro, 
E dos sapos, o brando tilintar 
De cristais que se afagam devagar, 
E da minha charneca o rosto duro. 

Amo todos os sonhos que se calam 
De corações que sentem e não falam, 
Tudo o que é Infinito e pequenino! 

Asa que nos protege a todos nós! 
Soluço imenso, eterno, que é a voz 
Do nosso grande e mísero Destino!… 

Florbela Espanca, In Reliquiae, 1934

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