A pura face

Como encontrar-te depois de ter perdido 
Uma por uma as tardes que encontrei 
O ser de todo o ser de quem nem sei 
Se podes ser ao menos pressentido? 

Não te busquei no reino prometido 
Da terra nem na paixão com que eu a amei 
E porque não és tempo não te dei 
Meu desejo pelas horas consumido 

Apenas imagino que me espera 
No infinito silêncio a pura face 
Pr′além de vida morte ou Primavera 
E que a verei de frente e sem disfarce 

Sophia de Mello Breyner Andresen, In Livro sexto, 1962

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