Deitas teu corpo em flor

Deitas teu corpo em flor no campo claro 
e toda ao sol te entregas, matinal. 
Um perfume de luz se espalha qual 
puro delírio, canto esquivo e raro. 

Sorver o aroma, recolher o puro 
estremecer de flor, ó pólen, ó mel 
que irrompendo de tudo vibra em céu 
de água a cair das coisas num futuro 

instante de fantástica beleza 
e de beijo e de afago e de um supremo 
arfar de chama em límpida penugem. 

Deitas teu corpo em flor, e a natureza 
Funde-se em ti no alto silêncio extremo 
de volúpia desfeita em brisa e nuvem. 

Alphonsus de Guimaraens Filho, In Todos os Sonetos, 1996 

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