Gosto que me confunde

Olhei-a 
Vi-lhe os olhos 
cerrados 
nos cirros 
e nimbos do sono 
Os lábios doces 
calmos 
sonholentos 
o nariz adunco 
num respirar de sono 
leve 
Os cabelos soltos 
de ouro corados 
atirados 
num gesto 
para trás 

Que doce pensar 
o meu olhar 
daquela face calma 
Sono solto! 
… e eu a olhar! 
Toquei-lhe 
de leve 
a loura guedelha 
como quem quer 
não querer acordá-la 

Que lhe vai na mente 
em tão doce pensar 
quando não se pensa 
Ao longe 
o trinar constante 
dos Nocturnos de Chopin 
confundiam-se-lhe 

Amor 
não é o toque 
seco 
do gostar 
É gostar 
desse toque de sentir 
ver o outro 
e disso gostar 

E lá continuavam 
os Nocturnos 
na tarde de luz e Sol 
na penumbra do quarto 

Gosto de a ver 
assim 
gosto dela assim 
gosto de ver dela 
assim 
E é neste gosto 
que me confunde 
que julgo encontrar 
o Amor 

Pedro Rodrigues de Miguel

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