Ali

Ali sofreste. Ali amaste. 
Ali é a pedra do teu lar. 
Ali é o teu, bem teu lugar. 
Ali a praça onde jogaste 
o que o destino te quis dar. 

Ali ficou tua pegada 
impressa, firme, sobre o chão. 
Ninguém a vê sob o montão 
de cinza fria e poeirada? 
Distingue-a, sim, teu coração. 

Podem talvez o vento, a neve, 
roubar a flor que tu criaste? 
Ali sofreste. Ali amaste. 
Ali sentiste a vida breve. 
Ali sorriste. Ali choraste. 

Saúl Dias, in “Sangue”

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