Vejo-te

Vejo-te 
como se te recordasse.

Não a que és
diária e invisível:
tu, a que dorme
no fundo aquático perene
verde inviolável
do amor ainda possível.

Assim 
de corpo inteiro
imagem fria.

Vidro de aquário
que um tudo – nada aquece
e embacia.

João José Cochofel, “Quatro Andamentos”, 1964

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