Tarde

Teus olhos húmidos eram lagos
em que o nosso desejo se mirava.

Tua boca entreaberta era a mensagem
do teu corpo moço que se dava.

Teu hálito quente
embrulhado de desejo
vinha de não sei lá que profundezas
em que de amor tuas entranhas se abrasavam.

E havia, amor, a envolver-nos,
essa solidão enorme
entre pinheiros, céu e terra quente

da tarde que dorme…

João José Cochofel, ”Instantes”, 1937

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