Um cálido rumor

Um cálido rumor.

Um fremir de asas
chama na noite
quase antemanhã.
Sobressaltando o sono dos corações,
vem de mansinho segredar
à janela das casas.

É apenas um murmúrio,
um silêncio pulsando,
o assombro incerto das revelações.

Pousada num pinheiro,
a luz escuta
a voz dos bichos, das árvores, das estrelas,
que por nós chama insistentemente.
A própria voz da noite,sincopada e fluorescente.
Que ininteligível esperança
os seus lábios castos pronunciam?

João José Cochofel, ”Quatro Andamentos”, 1964

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