Não sei porque é que sou assim

Não sei porque é que sou assim. 
Também, saber é não andar. 
Sentir foi sempre para mim 
Uma maneira de pensar.

Por isso agora essa cantiga, 
Que me lembrou, me entristeceu. 
Não sei se foi por ser antiga, 
Se por ser ela, ou eu ser eu.

Às vezes há um rodopio 
Das folhas secas num lugar. 
Não consigo ser eu a fio, 
Mas continuo sempre a olhar.

16 – 3 – 1931 
Fernando Pessoa, In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006

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