Verdadeiramente

Verdadeiramente 
Nada em mim sinto. 
Há uma desolação 
Em quanto eu sinto. 
Se vivo, parece que minto. 
Não sei do coração 

Outrora, outrora 
Fui feliz, embora 
Só hoje saiba que o fui. 
E este que fui e sou, 
Margens, tudo passou 
Porque flui. 

6-4-1934 
Fernando Pessoa, In Poesias Inéditas (1930-1935)

 

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