Não foram as horas que nós perdemos

Não foram as horas  que nós perdemos,
Nem o comboio que não chegou.
Foi só o barco e o gesto dos remos
E a triste vida que já passou.

Tudo nos dava a impressão de havermos
Entre travessas errado a Rua,
E não acharmos o amor, nem termos
Para a tristeza senão a Lua…

Tudo isso foi como se não fosse…
Antes tivesse durado menos…
Enfim, que importa? Não há a posse…
E os céus eternos só são serenos…

21 – 2 – 1915
Fernando Pessoa In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005

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