Na escrita

Na escrita, na voz ou na aparência
Jamais nos revelamos. Nosso ser
Nem palavra ou semblante o vão dizer.
De nós a alma longe em permanência.
Por mais que a vontade ao pensar dermos
De, por artes, sermos revelados,
Os corações se quedam encerrados
E no que nos mostramos, escondemos.
Abismo de alma a alma intransponível
Não há pensar ou arte que o desfaça;
Distantes de nós mesmos, impossível
Nosso ser ao pensamento revelar.
Sonhos de nós, a alma em clarões passa
E um noutro se vê em seu sonhar.

Fernando Pessoa In POESIA INGLESA II , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 2000

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s