Sempre

Se eu não te disse nunca que te amava,
Perdoa-me, mulher, sou innocente:
Eu vivia de amar-te unicamente,
Unicamente em teu amor pensava.

Se os meus labios calavam-se, falava
O meu olhar apaixonadamente,
Porque, se o labio occulta o que a alma sente,
Conta o olhar o que o labio não contava.

Meu rosto triste, meu scismar constante,
Meu gesto, meu sorrir, tudo exhalava,
Tudo exprimia um coração amante.

Em tudo o meu amor se denunciava,
Via-me em toda a parte e o todo o instante,
Se estavas longe, se comigo estava.

Guimarães Passos In Versos de um simples, 1891

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