Poente

Que podes mais dizer-me que não saiba,
Veia do sol sangrada para a terra,
Manso esgarçar de névoa refrangida
Entre o azul do mar e o céu vermelho?
Já há tantos poentes na lembrança,
Tantos dedos de fogo sobre as águas,
Que todos se confundem quando, noite,
Posto o sol, se fecham os teus olhos.

José Saramago, In Os Poemas Possíveis, 1966

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