(Abro a janela)

Abro a janela
e fixo o olhar
no sol que espreita
devagarinho

(afinal, as manhãs sobem
Como um grito de esperança)

no remanso da aurora
chega-me o perfume adocicado
das espigas de milho.

viajo pela memória.
e como uma ave
ávida de migração urgente
viajo às ribas distantes
onde o futuro se desenha livre.

(com a ânsia à flor da pele
aqui permaneço em vigília
e, inteira, a vida se inscreve
em pleno dia.)

Armando Artur, In O Hábito das Manhãs, 1990

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