Regressei ao corpo insuperável

Regressei ao corpo insuperável
à infância do ser, à inocência viva
Já não sou o meu nome, sou músculo suave
do fogo do universo
sou a liberdade límpida
de um rio silencioso que nasce
em cada instante do princípio do mundo
Não me pertenço
Os meus contornos
são os confins em que o teu corpo começa
O meu modo de ser é interrogativo e desce
ao centro do impossível e envolve
a totalidade inacessível
num enlace de água
em que o ser e o não ser se conjugam no real absoluto
Entre mim e ti não há pontes
a minha diferença respira
a tua noite e o meu dia, o teu sol e a tua lua
Estou vivo contigo na presença e na ausência
tu és tu, nada nos separa porque a separação
é a linha da aliança unitiva
a respiração do vivo amor entre nós
nos faz nascer.
António Ramos Rosa

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