Mês: agosto 2016

The Soul of the Rose

John William Waterhouse, The Soul of the Rose, 1908, private collection, oil on canvas, 88.3 × 59.1 cm

John William Waterhouse, The Soul of the Rose, 1908, oil on canvas

Achille Beltrame

 

Achille Beltrame (1871-1945), Figura dormiente (Sleeping figure), private collection, oil on canvas, cm 59x52

Achille Beltrame (1871-1945), Figura dormiente (Sleeping figure), oil on canvas

Poesia

é a visita do tempo nos teus olhos,
é o beijo do mundo nas palavras
por onde passa o rio do teu nome;
é a secreta distância em que tocas
o princípio leve dos meus versos;
é o amor debruçado no silêncio
que te cerca e que te esconde:
como num bosque, lento, ouvimos
o coração de uma fonte não sei onde…

Vítor Matos e Sá, in ‘Esparsos’

Mrs. Meigs At The Piano Organ

William Merritt Chase, Mrs. Meigs at the Piano Organ, 1883, private collection, oil on canvas, cm 65.9x47.3.jpg

William Merritt Chase, Mrs. Meigs at the Piano Organ, 1883, oil on canvas

The Cheval-Glass

Berthe Morisot, The Cheval-Glass, 1876, © Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid, oil on canvas, 65 x 54 cm

Berthe Morisot, The Cheval-Glass, 1876, Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid, oil on canvas

When the blue evening slowly falls

Frank Bramley, Quando la sera blu cade lentamente, 1909, collezione privata, olio su tela

Frank Bramley, When the blue evening slowly falls, 1909, oil on canvas

Um piano na minha rua…

Um piano na minha rua…
Crianças a brincar…
O sol de domingo e a sua
Alegria a doirar…

A mágoa que me convida
A amar todo o indefinido…
Eu tive pouco na vida
Mas dói-me tê-lo perdido.

Mas já a vida vai alta
Em muitas mudanças!
Um piano que me falta
E eu não ser as crianças

25 – 2 – 1917

Fernando Pessoa In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005

A ave pintada

A ave pintada veio
dos teus olhos de cristal
igual a todas as aves
esguias dentro das árvores

ou atiradas no azul
pelo anseio incontido
de quebrar todos os fios
presos aos certos caminhos

onde as nossas asas cumprem
erradamente o destino
de não sermos soltas aves
dentro de todas as árvores.

Glória de Sant’Anna in Um denso azul silêncio, 1965

Silêncio

Silêncio aberto
de plenitude
como uma ilha
num lago fundo

Silêncio exacto
cheio de música
vindo de nada
contendo tudo.

É este agora
deste momento
em que estando
me ausento.

Glória de Sant’Anna in Um denso azul silêncio, 1965

Poema Pequeno

Silêncio erguido
de outro sentido.

A noite morta
ronda lá fora
e nela
o meu oculto grito.

Glória de Sant’Anna in Iivro de Água,1961

Pergunta

Talvez eu viesse de dentro da noite
com fundos segrêdos nos olhos fechados.

Talvez meu sorriso
estivesse marcado por cima dos lagos.

Talvez minhas mãos,
talvez meus cabelos,
talvez eu inteira trazendo recados
por outros caminhos errados.

Glória de Sant’Anna in Música Ausente, 1954

Confidência

Que eternidade inesperada
Surge do teu abraço?

Eu vogo tarda,
Longe do meu olhar velado,
E as mãos
São estrelas de cinco pontas
Sobre um lago

Glória de Sant’Anna in Distância, 1951