O que direi

Direi que nasci
se fores água
em minha boca desaguada.

Direi que cheguei
se o teu peito
em mim abrir o seu leito.

O rio se espraia
para se perder do chão,
e eu de mim saberei
quando me afogar na tua mão.

Direi, então, que vivi
sem precisar de ter nascido.

Mia Couto, em “Vagas e lumes”. Lisboa: Editorial Caminho.

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