Desencontrados

Disseste vir às nove, e já demoras…
São dez ou onze? Quantas horas são?
Não sei dizer. Quem ama traz as horas
No relógio de amor do coração.
 
Passei junto ao Palácio aonde moras:
– Tudo fechado, tudo solidão…
Nem entre as bambinelas, como auroras,
Surgem teus olhos, numa explicação.
 
Tinhas saído então. Se era o Destino
A separar-nos já, eu imagino
Que ele cumpriu-se – porque nos zangámos.
 
Agora, que fugimos de nos ver,
Eu não consigo, Isaura, compreender
Como é que tão depressa nos achamos.
 
Alfredo de Barros, Versos de cinza, 1946

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