Cada coisa

Cada coisa tem o seu fulgor, 
a sua música. 
Na laranja madura canta o sol, 
na neve o melro azul. 
Não só as coisas, 
os próprios animais 
brilham de uma luz acariciada; 
quando o inverno 
se aproxima dos seus olhos 
a transparência das estrelas 
torna-se fonte da sua respiração. 
Só isso faz 
com que durem ainda. 
Assim o coração. 

Eugénio de Andrade, In Sal da Língua, 1995

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