Amado Maio

Maio amado Maio
Que foste amado Maio
Peso da tua mão
Peso da ternura
Sobre a minha mão
Ternura que se podia pegar
Pedaço de seda
Seda de Maio de Sol
De estevas e mel
Ternura tão viva
Como o abraço
Que nos uniu depois
Da ausência
Em laço desatado
Amado Maio
Quando todos cantam
Pelas ruas
E castanheiros
E cravos roxos
E estevas do mel
De lábios dourados
Cantam amado Maio
E a videira verde
Soluça na noite
Pássaros acordados
Murmuram madrugada
E tudo é dia de Maio
A minha mão está aqui
Presa na seda
De tua amada ternura
De amor ousada
De amor ausente
Matilde Rosa Araújo In Voz Nua , Livros Horizonte, 1986

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s